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Saúde

Má postura no home office pode causar dores crônicas nas costas

Ortopedista alerta para os problemas mais comuns causados por condições de trabalho muitas vezes inadequadas

12/11/2021 01h05
Por: Redação
Fonte: R7 - Fernando Mellis, do R7

Flexibilidade, conforto, rotina sem trânsito e transporte público são algumas das vantagens do home office. Mas passados quase dois anos desde o início da pandemia já começam a surgir nos consultórios médicos pacientes com dores no corpo por não adotar uma postura correta ao trabalhar em casa.

A publicitária Paula Lacerda, de 35 anos, aproveitou todos os benefícios do trabalho remoto desde março de 2020. Sobrou mais tempo para cuidar do filho, do cachorro, da casa. Entretanto, na metade deste ano começou a ter dores que nunca havia sentido nos ombros e no pescoço.

"Eu terminava minhas reuniões no fim do dia e tinha que tomar algum remédio para dor. Cheguei a trocar a cadeira, mas não ajudou muito", conta.

Ela procurou um médico e, após exames, foi diagnosticada com cervicalgia associada justamente à má postura. O tratamento indicado foi fisioterapia e exercícios físicos.

Não há trabalhos científicos de relevância global ou nacional acerca de problemas ortopédicos em decorrência do trabalho em casa durante a pandemia.

Mas um estudo recente conduzido por pesquisadores croatas com 232 trabalhadores de empresas de telecomunicações em home office durante a pandemia mostrou que dois terços dos participantes se queixavam do surgimento ou agravamento de dores muscoesqueléticas.

Aqui no Brasil, o ortopedista Ivan Rocha, especialista em coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia IOT-HCFMUSP (do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), ressalta que houve um aumento, a partir da metade do ano, de pacientes se queixando de dores nas costas e no pescoço.

Ele considera duas razões para isto: o próprio surgimento de mais problemas de coluna nesse período e também uma demanda reprimida que já tinha alguma condição antes da pandemia e não procurou atendimento nos últimos meses por medo da Covid-19.

O médico ressalta que muitas pessoas em home office deixaram de lado os "mecanismos compensatórios", uma espécie de atividade física involuntária, "que são: a pessoa simplesmente se mexer, sair da casa dela, caminhar até o ônibus, até o trabalho, se locomover dentro do trabalho".

"Essa movimentação que acabou não sendo feita mais transformou quem já era sedentário em um supersedentário."

Dores musculares são as mais comuns

Há duas regiões das costas que podem ser acometidas de dor: a lombar e a cervical. Rocha observou no consultório o crescimento do número de pacientes com queixas de dores cervicais (na área do pescoço e ombros). É o tipo de dor associada ao uso prolongado do computador e do celular.

Segundo o ortopedista, permanecer em posições inadequadas por muito tempo pode levar a quadros de dor permanente.

"A cabeça inclinada para a frente próxima à tela ou abaixada, no caso do celular, aumenta muito a contratura da musculatura, aumenta a chance de você desenvolver uma dor crônica cervical. A maior parte das dores crônica é por disfunções musculares."

A dor lombar (do meio das costas para baixo) é a mais frequente, destaca Rocha. Estatísticas mostram que mais de 90% da população mundial vai ter uma crise de dor nesta região ao menos uma vez na vida.

Já a dor cervical tem uma incidência em 30% da população ao longo da vida. Entretanto, 12% podem desenvolver quadros crônicos.

Ao procurar um ortopedista, a pessoa que se queixa de dor nas costas passará por um exame clínico, a única forma de se diagnosticar dores de origem muscular. 

"A lesão [quando é muscular] existe, mas é uma lesão funcional, da maneira como o músculo está agindo. A gente não tem isso no exame de imagem. [...] O músculo começa a ter uma fadiga, começa a endurecer. Dentro dessa faixa de músculo endurecida acontece uma disfunção, que é chamada ponto-gatilho, que é o ponto de maior dor na apalpação muscular e onde está presente o maior processo inflamatório."

Coluna

Quando a dor irradia para os braços, causa formigamento ou perda de força, o especialista irá solicitar um exame de imagem, normalmente uma ressonância magnética, para verificar se há algum tipo de lesão na coluna ou nervos.

O exame aponta, por exemplo, se o paciente tem hérnia de disco, quando o material cartilagenoso entre as vértebras se desloca.

A dor também pode ser causada por um quadro de espondilose cervical, que é a degeneração das vértebras e dos discos entre elas, exercendo pressão sobre a medula espinhal no nível do pescoço. Neste caso, a doença é mais comum em pessoas de meia-idade e idosos.

Lesões na coluna também podem comprimir a raiz nervosa espinhal, provocando dormência e fraqueza em ambos os braços e pernas.

O tratamento para dores nas costas e pescoço normalmente é conservador, ou seja, sem necessidade de cirurgia, explica Rocha.

"A cirurgia é indicada apenas quando há perda de força, compressões neurológicas de estruturas nobres, como a medula, que podem deixar sequelas se comprimidas, e falha no tratamento conservador."

Na maioria dos casos, o médico irá prescrever remédios para dor e anti-inflamatórios, indicar fisioterapia e, posteriormente, musculação como parte do processo de reabilitação.

É importante, frisa o ortopedista, que as pessoas entendam que a melhora de dores lombares ou cervicais não ocorre de uma hora para a outra.

"O paciente que vai ter que mudar de uma maneira radical o dia a dia dele para sentir esse benefício, senão esse benefício vai ser muito tênue e temporário. O médico dá um remédio e melhora, o fisioterapeuta manipula e melhora. Mas a pessoa volta para as mesmas condições que geraram a disfunção e vai ter dor de novo."

 

Ambiente ideal

 

Apenas ter uma cadeira ergonômica não é garantia de que não haverá dores nas costas e no pescoço.

Os notebooks, utilizados pela grande maioria das pessoas que trabalha em casa, precisam ser ajustados para que a tela fique na altura dos olhos, o que é feito com o uso de suportes específicos ou até mesmo livros.

Também é importante garantir que a parte mais baixa das costas tenha algum apoio — pode ser uma almofada — para que não haja risco de se curvar em uma posição ruim com o passar das horas.

Os cotovelos precisam estar em uma curvatura de 90 graus (formando um L) em relação ao teclado. Para isto, é possível ajustar a altura da cadeira para cima ou para baixo.

As pausas periódicas, com uma caminhada dentro de casa e alongamentos também ajudam a prevenir lesões.

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