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Revolta!

Justiça solta advogado suspeito de abuso, avós e pais das vítimas e delegada expõe revolta: 'Me sinto burra'

Crianças e adolescente de 15 anos devem passar por exame de corpo de delito em MS. Elas disseram no Conselho Tutelar que advogado as tocou, porém não houve relação sexual. Ele nega qualquer envolvimento.

30/11/2020 07h00
Por: Redação
Imagem ilustrativa
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A Justiça soltou o advogado de 44 anos, preso em flagrante com a suspeita de abuso sexual de duas meninas de 11 e 12 anos, além de um adolescente de 15 anos. Na mesma decisão, da comarca de Anastácio, a 140 quilômetros de Campo Grande, também está concedida a liberdade dos pais e avós das crianças. Ao saber da soltura, a delegada Joilce Ramos, responsável pelas investigações e que monitorou o suspeito há pelo menos 6 meses, disse estar revoltada.

"Me sinto burra, a mais burra da face da terra. Como é que é depois de cinco anos de Direito, depois de 14 anos na Polícia Civil eu não consegui aprender que, para prender um autor de estupro de vulnerável eu tenho que esperar ele iniciar o ato sexual. Eu tenho que esperar, por mais que todas as provas indiquem que ele está indo consumar o ato sexual? E por mais que todas indiquem que ele está indo para consumar o ato sexual, mas, ninguém pode comprovar e nem ter certeza? Eu, então, tenho que esperar ele cometer, ele dar início ao primeiro ato sexual. Ou seja, tinha que esperar ele entrar no escritório, para depois arrombar a porta e o pegar em flagrante, praticando o ato sexual, aí sim ele seria preso em flagrante por estupro de vulnerável. Estou me sentindo a pessoa mais burra da face da terra, disse.

Segundo Ramos, a investigação até acreditava que os pais e avós seriam soltos, por serem réus primários. No entanto, o advogado possui antecedentes por falsificação de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e também, ainda conforme a polícia, foi preso em flagrante.

"O delegado de polícia não tem competência para recorrer da decisão judicial, somente o Ministério Público. E a única possibilidade agora é o MP recorrer dessa decisão e o Tribunal da Justiça, em Campo Grande, decidir pela prisão ou não novamente. Agora estou no aguardo do pedido de quebra de sigilo dos telefones, onde estariam mais provas para comprovar toda a investigação que estamos fazendo há meses. Não é possível recorrer, mas, não sou obrigada a concorda com essa decisão", comentou.

Advogado foi preso na quinta abordagem

A investigação aponta que, há pelo menos seis meses, a polícia já monitorava o comportamento do advogado. Ele foi preso em flagrante na última terça-feira (24), em Anastácio.

"Ele [advogado] estava bem esperto e sabia que corria esse risco, de ser abordado com as vítimas dentro do carro, então nunca ia pelas ruas principais da cidade. Ele fazia ziguezagues e, em uma destas ocasiões, nós o perdemos de vista. Mas, neste flagrante, nós percebemos que ele ficou 20 minutos na casa e depois saiu com as vítimas, momento em que eu pedi apoio e houve a abordagem", explicou Ramos na ocasião.

As supostas vítimas, de 11, 12 e 15 anos, foram encaminhadas para um abrigo e passaram por exame de corpo de delito. A polícia tem 10 dias para concluir o inquérito, por conta do flagrante.

Além do advogado, os pais e avós das crianças estão presos. Somente os pais da menina de 15 anos, que moram atualmente em Bodoquena, não foram presos. Eles alegaram que não sabiam dos fatos, mas, a polícia diz estar investigando.

Questionado sobre os fatos, o advogado nega qualquer envolvimento com as três meninas. As possíveis vítimas, no entanto, comentam que o suspeito as tocava nas partes íntimas.

Pais e avós recebiam dinheiro

Segundo a polícia, a prisão dos pais e mais quatro avós ocorreu porque eles davam consentimento e ainda recebiam dinheiro para permitir o homem a cometer os crimes sexuais.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) informou que está ciente do crime e em breve irá se posicionar por meio de nota.

Conforme a delegada, após ser detido, o advogado foi encaminhado para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM). Ele confessou que saia com as meninas há cerca de 2 meses, mas, em depoimento, o avô das menores relatou que os encontros começaram há 2 anos. No momento da abordagem, ele bebia cerveja e as supostas vítimas também ingeriam outra bebida alcoólica.

Quatro avós e os pais das menores vão responder pelo crime de submeter criança e adolescente à prostituição com agravante de pena por serem responsáveis. Segundo a delegada, todos eram beneficiados com os abusos sexuais. Já o advogado vai responder pelos crimes de estupro de vulnerável, submeter criança e adolescente à prostituição e também por dirigir embriagado.

Fonte: G1

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